|
Rodericus Constantinus Grammaticus 4Observações sobre a sua antepenúltima obra anti-olavete Olavo de Carvalho
A obra a que aqui me refiro é o artigo “A vaidade de Olavo”, publicado neste link. Depois desse, Constantino já escreveu mais um, seguido de acréscimos inumeráveis, que ainda não cheguei a ler. “O ‘filósofo’ Olavo de Carvalho, que havia anunciado ser impossível debater comigo por causa de minha ignorância e que não iria perder tempo com um "moleque idiota", já escreveu cinco longos artigos atacando a minha pessoa.” Escrevi dois artigos, um no JB de 15 de fevereiro (sem menção ao nome da criatura, indicando portanto que não falava dele como indivíduo, mas como exemplar típíco e anônimo de uma burrice endêmica), outro no site do Diego Casagrande, defendendo-me do que Constantino ali havia publicado contra mim. Tudo o mais que escrevi foram mensagens no site Orkut, sempre em resposta às dele (e aliás em número incomparavelmente menor), mais as partes iniciais de uma análise linha por linha do seu artigo “O Túmulo do Fanatismo”, publicadas no meu site com um convite à tréplica, a qual estou esperando até agora. No furor da confusão que ele próprio armou, Constantino às vezes confunde a sua pessoa com a minha. A contagem de cinco, na verdade, refere-se aos seguintes artigos escritos por ele próprio, publicados no seu blog http://rodrigoconstantino.blogspot.com: “Resposta a Olavo” (12 fev.), “Fides et Ratio” (13 fev.), “A desonestidade de Olavo” (15 fev.), “A vaidade de Olavo” (18 fev.), “O prego do Olavo” (27 fev.), alguns acompanhados de fotos adulteradas da minha pessoa, mais uma quantidade inabarcável de mensagens no Orkut, inseridas em diversas comunidades, muitas das quais nem pude ler ainda, tal a velocidade com que se sucedem. Observo, de passagem, que meu nome consta do título de quatro desses cinco artigos. Prova indiscutível de que seu autor não ataca minha pessoa e sim minhas idéias.
Para filtrar argumentos entre aqueles adjetivos tão chulos é preciso espremer bastante, e mesmo assim pouco sai. O leitor pode verificar por si mesmo se há algum “adjetivo chulo” e escassez de argumentos, seja no artigo que publiquei no site do Diego Casagrande, seja nos comentários que fiz em http://www.olavodecarvalho.org/textos/homem_mim.html, http://www.olavodecarvalho.org/textos/homem_mim_2.html e http://www.olavodecarvalho.org/textos/homem_mim_3.html. Ele reclama que eu estou fugindo de um debate proposto por mim mesmo, mas na verdade estou apenas evitando o show que Olavo tanto gosta de oferecer a seus seguidores. Vamos contar a história direito. A coisa começou com um artigo do Constantino enviado como mensagem à comunidade “Olavo de Carvalho” no site www.orkut.com. Embora a comunidade, criada pelo Luís Filidis, exibisse logo na abertura o aviso de que existia “para discussão das idéias e obras do filosofo brasileiro Olavo de Carvalho”, o Constantino achou que lhe convinha invadi-la com um texto que nem de longe se referia a uma coisa ou à outra, mas que continha apenas um ataque escandaloso às religiões em geral, especialmente à cristã e à judaica. Tendo ele próprio um blog e espaço em vários sites da internet (inclusive o que eu mesmo lhe cedi no Mídia Sem Máscara), tendo a sua própria comunidade no Orkut e podendo abrir quantas outras quisesse, para discutir os assuntos que bem entendesse, por que tinha de meter seu artigo logo na minha comunidade, parasitando-a com um debate totalmente deslocado dos propósitos que a criaram? Não tenho de especular suas intenções, porque elas se revelam da maneira mais manifesta no seu ato mesmo: desviar as atenções da comunidade, das idéias de Olavo de Carvalho para as idéias de Rodrigo Constantino. Que estas parecessem ao próprio Constantino desprovidas de atratividade própria, necessitadas portanto, no seu entender, de usurpar atenções em conversas de terceiros, prova-o da maneira mais patente o fato de que, tendo a sua comunidade pessoal apenas 243 debatedores, ele intromete mensagens não só na minha, que tem 2.749, mas na do Diogo Mainardi, que tem muito mais: 23.400. Mas, além de superlotar o espaço alheio com mensagens que são apenas do seu próprio interesse, Constantino ainda as suplementa com cartas de aplauso escritas por ele mesmo sob pseudônimos variados. Até o momento, esse delirante esforço autopromocional só lhe rendeu o apelido de Spamtantino e outros dos quais falarei mais adiante. Para piorar, as alegações dele contra a religião não tinham por fonte nenhum estudo sério e atualizado do assunto, mas um livro de Voltaire publicado em 1767 e já de há muito abandonado pelos estudiosos como referência confiável para o estudo do problema, não só pelos seus inumeráveis erros históricos e de interpretação, mas por serem seus argumentos quase que integralmente plagiados de uma obra então já velha de quase um século, a Histoire critique du Vieux Testament, de Richard Simon (1678). Constantino citava o livro de Voltaire como se fosse a última palavra em história das religiões, mostrando desconhecer não só a evolução dos debates eruditos desde a publicação da obra, mas até mesmo o fato notório do plágio. Era como tentar provar ou impugnar o evolucionismo com base apenas em A Origem das Espécies, ignorando tudo o que se descobriu depois (com o detalhe de que Darwin não plagiou ninguém). O que tornava a situação ainda mais cômica é que Constantino entrava na arena com tamanha fé nos poderes da sua fonte, que chegava a ostentar como “críticas embasadas” os chutes mais tolos e alucinados do polemista francês, como por exemplo a afirmação de que “os judeus são um povo de ladrões” ou de que todos os líderes religiosos do universo, sem exceção, só pensam em dinheiro. Evidentemente, a suspeita de que a obra pudesse já ter sido longamente examinada pelos historiadores e, com justiça, jogada na lata de lixo do esquecimento, era algo que jamais lhe havia passado pela cabeça. Sua virgindade historiográfica, no caso, era imaculada. Maior ainda do que sua confiança cega em Voltaire, porém, era a fé que ele mostrava ter nos seus próprios poderes persuasivos. Seu artigo – advertia ele nas primeiras linhas – seria tão devastador, tão fulminante, que ninguém decidido a conservar sua devoção religiosa deveria lê-lo. O risco era grande demais, praticamente inevitável a rendição dos crentes ante as luzes de Constantino-Voltaire. Era tiro e queda: ler e perder a fé. O evidente despreparo do atacante contrastava de maneira tão patética com a sua afetação de onipotência, que a provocação – ou intimação – para um debate, vindo de tal pessoa, me pareceu, mais que um acinte, um blefe descarado num jogo sem propósito. Totalmente sem propósito. O debate com o ignorante é um dos exercícios mais árduos e estéreis da arte dialética. A cada passo, junto com os argumentos, você tem de fornecer ao desafiante os conhecimentos que lhe faltam para o debate, e ele, de maneira quase infalível, tomará essas informações como novos argumentos, colocando-os em discussão junto com os primeiros, e assim por diante infindavelmente. Sem um núcleo de conhecimentos admitidos em comum, nenhum debate frutífero é possível. Quando os disponíveis a uma das partes são mínimos, a outra pode, por amabilidade, concordar em esquecer o que sabe e raciocinar só com base nas informações de que o interlocutor dispõe. Mas se este desconhece ou não compreende o seu próprio material, se seu domínio do assunto está abaixo do mínimo requerido até para sustentar suas próprias opiniões, se a cada passo ele se equivoca no manejo dos seus próprios termos e não dá sinal de captar as implicações mais óbvias e imediatas do que ele mesmo diz, então a situação é francamente desesperadora, e o melhor que você pode fazer é mandar o cidadão passear. Foi o que sucedeu neste caso. Informei ao distinto que ele era apenas um merdinha intrometido, achando que, impressionado com a minha falta de polidez, ele iria embora batendo pezinho e não me incomodaria mais. A resposta do indivíduo foi esquivar-se de comparecer ao desafio que ele próprio havia lançado, e em vez disso espalhar mensagens em vários tópicos da comunidade, fragmentando e anarquizando ainda mais a discussão e, naturalmente, acrescentando às suas mensagens outras tantas de apoio a si mesmo, assinadas por personagens de sua própria invenção. Tudo isso, diz ele, para evitar um “show”. Quanta circunspecção! Quanta modéstia!
Quase todo "debate" com Olavo acaba com um xingamento tosco envolto numa expressão em latim, para dar um toque de erudição. Mostre um, por favor. Não me lembro de ter escrito nada nesse estilo, mas olhe que não é má idéia. As presentes considerações, por exemplo, poderiam terminar assim: “Rodrigo Constantino é um merdinha – quod erat demonstrandum”.
Estou lidando com um "adolescente crescido", um "filósofo" que fica xingando os outros dos mais baixos nomes Não posso crer que, a sério, uma pessoa adulta se escandalize com o termo “merdinha” ao ponto de classificá-lo, com horror, “entre os mais baixos nomes”. Principalmente quando essa pessoa, no decorrer do mesmo debate, qualifica de “veados enrustidos” todos os que não sigam o seu exemplo, orgulhosamente alardeado, de ficar espiando traseiros de mulheres pelas ruas. Mais estranha ainda é afetação de pudicícia na boca de um debatedor que se empenha, ao longo de toda a conversa, em qualificar seus opositores de carolas, de moralistas, de reprimidos. Quem não percebe aí, claramente, a hipocrisia do bom menino? A afetação, o fingimento, é na realidade a essência do estilo de Rodrigo Constantino. Toda a sua arte dialética, que qualquer um pode confirmar nos seus textos, consiste dos seguintes truques: O menino, em suma, é um sabonete, um farsante em toda a linha, empenhado em vencer a discussão per fas et per nefas, mesmo à custa de apelar aos subterfúgios mais pueris e grotescos. Como isso era perceptível já desde a leitura do seu artigo “O túmulo do fanatismo”, declarei alto e bom som, na ocasião, que não aceitara o debate para persuadir o meu oponente do que quer que fosse, mas apenas “para mostrá-lo aos leitores como anti-exemplo, como amostra de tudo o que não é e não deve ser um estudante”. Constantino, com efeito, não chega a ser sequer um pseudo-intelectual: é um aspirante a subintelectual, uma imitação caricatural de estudante. O sujeito acabou me parecendo interessante e digno da maior atenção por representar um modelo de “formador de opinião” que nos próximos anos tende a se tornar típico e inumerável no Brasil, como resultado da confluência – impossível, mas real – de pós-modernismo global e subdesenvolvimento local. Nessa combinação, o primeiro entra com a repulsa (declarada ou não) à noção de “veracidade”, substituída por um belo arranjo popperiano de conveniências, e com o primado das poses teatrais e simulacros como fontes de credibilidade em substituição à evidência intuitiva, à prova racional e ao testemunho da autoconsciência. O segundo entra com a incultura maciça, o exibicionismo provinciano, a credulidade ante as modas culturais do estrangeiro (algumas bem velhinhas) e, last not least, a tendência a confiar imediatamente em qualquer frase que se consiga produzir com começo, meio e fim. Os resultados são a ostentação de estereótipos em lugar das coisas e qualidades correspondentes (por exemplo a palavra “razão” exibida a cada passo como prova de autoridade em substituição a qualquer exercício efetivo do pensamento racional), o argumentum auctoritatis fundado no culto provinciano de autores estrangeiros de segunda ordem, o apelo obsessivo ao prestígio aparente de teorias das quais não se tem senão um conhecimento perfunctório, quando algum se tem (Constantino se escora a todo momento na autoridade de Popper, mas erra fragorosamente na sua única tentativa de aplicar seu método, aliás à refutação de um argumento simples). O “debate cultural” neste país já tinha involuído da condição simiesca ao estado reptiliano graças à hegemonia de tipos como Emir Sader, Gilberto Felisberto de Vasconcelos, Marilene Felinto e tutti quanti, tornando impossível explicar a um estrangeiro o que se entende por “idéias” no Brasil de hoje. Uma geração de Constantinos vai mergulhar a cultura brasileira de uma vez por todas no mundo anfíbio, indescritível em termos mamíferos. Estão errados aqueles que lamentam o presente episódio como “ruptura nas hostes liberais”. Nenhuma causa – muito menos a liberal – é tão fraca que tenha de aceitar como seu advogado um tipo como Rodrigo Constantino. Desde seus primeiros artigos ele me pareceu muito fraco e presunçoso, mas concedi a ele um espaço no MSM na esperança de que melhorasse. Falhou. Mas não posso afirmar que o ovo de galinha produziu uma serpente. Constantino jamais saiu do ovo.
...e que ainda usa como "argumento" as mensagens que recebeu de admiradores atacando a minha pessoa. O argumentum ad populum, quem diria, passou a ser um dos preferidos de Olavo. Desde que, com meus comentários a Schopenhauer, recoloquei em circulação a terminologia retórico-dialética então longamente esquecida nas discussões de mídia em nosso país, centenas de macaqueadores passaram a usar as expressões técnicas latinas da velha arte para exibir uma cultura que não têm. Invariavelmente, por isso, aplicam os conceitos de maneira errada, quando não invertida. O próprio Constantino, no curso desse mesmo debate, usou e abusou da expressão argumentum ad hominem dando-lhe o sentido de “ataques pessoais”, que ela não tem de maneira alguma. Agora faz o mesmo com o argumentum ad populum, dando-lhe o sentido unilateralmente pejorativo de argumento falso (o que ele nem sempre é) e usando-o para qualificar um exemplo a que ele não se aplica. Argumentum ad populum é apelar à opinião da maioria (real ou suposta) como prova de algo que a mera soma de opiniões não prova. Mas, se tudo o que você quer sugerir é que determinada opinião é majoritária, então, evidentemente, enumerar amostras não é argumentum ad populum, é apenas exemplificação indutiva, subentendendo que os casos restantes podem ser localizados, somados e conferidos na mesma fonte indicada. No caso citado pelo Constantino, o que eu quis mostrar foi que a conduta dele desagradou à maioria dos participantes da conversa, mesmo àqueles que, no começo, estariam dispostos a concordar com ele. O número de exemplos citados é significativo em si, mas os demais estão à disposição de quem os deseje averiguar na comunidade “Olavo de Carvalho”. No fim do debate, não é exagero dizer que praticamente ninguém ali suportava mais o zé-mané, de tanto que ele mudava retroativamente o sentido de suas próprias afirmações, rompia a continuidade do debate para ir descarregar sua ira em outras seções do Orkut, se expunha ao riso geral com arremedos de erudição colhidos às pressas na Wikipedia, etc., etc. Ele pode alegar – e de fato alegou muitas vezes -- que sua conduta não foi inconveniente, apenas pareceu sê-lo aos olhos dos demais participantes da conversa, todos eles, no seu entender, uns puxa-sacos do Olavo de Carvalho, uma verdadeira seita ou máfia de fanáticos degenerados, carolas, fundamentalistas crédulos, desprovidos do uso da razão, etc. etc. O que ele não pode razoavelmente pretender é atirar repetidamente esses insultos à platéia que ele mesmo escolheu (pois ninguém o convidou a entrar ali, foi ele quem quis entrar) e em seguida esperar que essa platéia o ache um primor de boa conduta. A prova de que não o acharam está nas mensagens que citei e nas demais que se encontram no site. Ele alega que, no seu próprio blog, há mensagens favoráveis a ele, mas elas me parecem um bocado suspeitas: Por que foram enviadas somente ao blog de um dos interessados e não à comunidade em debate, se o ingresso nesta era livre, se não havia limite de mensagens e se aliás o próprio Constantino superlotava com elas o espaço de várias seções da comunidade? Seriam os remetentes tão tímidos ao ponto de preferir cochichar apoio a um dos debatedores bem longe do debate, em vez de proclamá-lo no lugar mesmo onde ele mais precisava de apoio? O leitor já sabe a resposta. Mais curioso ainda é que o Constantino, ao afirmar que o argumentum ad populum “passou a ser um dos preferidos de Olavo” cita como prova dessa preferência um único exemplo, e falso.
Alguém que já conhecia Olavo melhor que eu comentou no meu blog que o homem estava realmente mordido por causa de uma correção que fiz sobre a língua portuguesa. Eu pensei que era besteira, que um filósofo jamais seria tão tolo, e que a sua reação era mesmo fruto do fanatismo religioso. Mas depois foi ficando mais claro que havia verdade nisso. De fato, basta observarmos que o título da série de longos artigos atacando minha pessoa é Rodericus Constantinus Grammaticus, com o subtítulo O Homem do Mim. Para quem não sabe, isto se deve ao fato de Olavo ter escrito "entre eu e você" em uma mensagem para mim, e eu ter apontado que o correto seria "entre mim e você". Bastou isso. Para um homem cuja vaidade é maior que o mundo, foi algo insuportável. Constantino não se limitou a apontar um erro de português numa mensagem informal redigida às pressas para descartá-lo. Desse exemplo isolado e raro, que aliás no meu entender não é nem erro mas uma opção consciente pela expressão popular em vez da gramatical -- um direito elementar do escritor --, concluiu e proclamou aos quatro ventos que eu “não sabia escrever”. O que chamava a atenção no episódio não era só o exagero monstruoso da generalização pejorativa baseada numa amostragem tão escassa: era o fato de que a desaprovação professoral da minha redação viesse de um sujeito que era uma verdadeira usina de solecismos. Quando ele mesmo admite que seus próprios erros de português eram tão numerosos que motivaram a abertura de um tópico especial só para listá-los, aparentemente não percebe a comicidade irresistível do contraste entre suas pretensões de gramático e seu próprio desempenho lingüistico subginasiano. Que é que ele esperava, depois disso, senão que eu fizesse dele motivo de piada, denominando-o Rodericus Constantinus Grammaticus, numa alusão aliás não somente à sua lição de português, mas ao seu uso freqüentemente errado de expressões latinas? Na verdade, não só latinas; até numa francesa de uso corrente ele se mela todo: em vez de “en passant” o desgraçado escreve “en passand”, com “d”, numa evidente confusão com o gerúndio português. Será preciso alguém estar apoplético, espumando de raiva, indignado até à raiz do seu ser para fazer uma piada tão manifestamente sugerida pela situação mesma? Para que recorrer a lances arriscados de psiquiatria divinatória para explicar uma conduta tão banal e lógica quanto a de fazer troça de uma incongruência que, em si, já é a troça encarnada?
Constantino é quem mente. Logo após declarar que eu não sabia escrever, ele enviou várias mensagens à minha página pessoal no Orkut, ampliando a acusação para “analfabetismo funcional” (outra expressão que eu mesmo coloquei em circulação, e que desde então se tornou cacoete nacional) e tentando, como um louco obsessivo, espremer até à última gota o limão da pegadinha gramatical com a qual contava como arma todo-poderosa para arrasar de vez a minha reputação. As mensagens eram anônimas, mas só ele mesmo poderia tê-las enviado, primeiro porque o estilo era inconfundível, segundo porque ninguém mais, entre os participantes do debate, dera o menor valor – nem poderia ter dado – à alegação de que eu não sabia escrever. Só mesmo o Constantino se apegou a essa maluquice.
A seguir ele insistiu na mentira: "É claro que não fiquei brabo com a correção do 'mim', embora a achasse estilisticamente inadequada". Não ficou "brabo", mas disse, faltando com a verdade, que eu foquei nisso obsessivamente, e ainda deu importância ao fato a ponto de virar o tema do título dos seus artigos? Talvez ele não esteja mentindo quando diz que fiquei repisando o mesmo ponto. Talvez seja apenas auto-engano. Vai ver que ele realmente ficou vendo isso o tempo todo, em qualquer lugar que olhasse. Freud explica. E um de seus mais fervorosos admiradores ainda se deu ao trabalho de criar um tópico apenas para apontar os meus erros de português! Ao dizer que minto quando afirmo que não fiquei brabo, Constantino presume conhecer meus estados interiores melhor que eu, e os conhece tão bem que, com base na sua certeza adquirida por adivinhação à distância, condena como imoral minha tentativa de expressá-los tal como os entendo. Da próxima vez que eu quiser conhecer minha verdade interior, vou perguntá-la ao Rodrigo Constantino. Como prova da minha brabeza, ele cita o fato de que fiz uma piada. Pelo número das que faço, devo viver num estado cólera perpétua que nem Júpiter tonitroante agüentaria. Já a reação dele à demonstração dos seus inúmeros erros de português – erros genuínos e primários, bem diferentes da mera opção pela fala corrente -- não foi nada humorística. Foi de indignação explícita. Para desqualificar o autor da lista, ele apela até ao expediente de rotulá-lo um dos meus “mais fervorosos admiradores”, quando qualquer um pode verificar, pelas mensagens postadas pelo mesmo autor em outros debates do Orkut, que na verdade se trata de um dos meus críticos mais contumazes e azucrinantes.
Voltaire dizia que a "tolerância é a conseqüência necessária da percepção de que somos pessoas falíveis", já que "errar é humano, e estamos o tempo todo cometendo erros". O filósofo Karl Popper, quem Olavo chegou a desqualificar como fonte séria para alguma coisa, endossa esta postura, e sempre defendeu a tolerância e a falibilidade humana. Popper estimulava seus alunos a questionar livremente suas premissas nas aulas, criando um ambiente aonde apontar os erros do mestre fosse algo bastante natural. Compare-se isso ao que Olavo parece fazer com seus alunos, e vemos o abismo que separa ambos. Os seguidores de Olavo parecem incapazes de questionar o mestre, de apontar suas falhas, de criticá-lo abertamente. Constantino, que jamais assistiu a uma aula minha, julga saber não apenas o que se passa lá, mas até os estados subjetivos da platéia. Nem lhe passa pela cabeça a possibilidade, a hipótese, a conjeturação mais remota de que eu talvez tenha conquistado a confiança de meus alunos e leitores justamente pela minha disposição de responder às suas objeções com a maior paciência, às vezes por anos a fio. Mas basta dar uma espiada nos scraps da minha página no Orkut para ver o número de dúvidas e objeções que por ali circulam.
Receberam o jocoso apelido de "olavetes" não foi à toa. 1. Mas decerto foi à toa, à toa e sem razão nenhuma, que Rodrigo Constantino recebeu, entre outros, os apelidos de Spamtantino, Tomesentino, Batepino e – ó, horror! – Punhetino. 2. Desde que o Meira Penna proclamou “Eu sou uma olavete”, todos os que são designados por esse nome se sentem muito honrados de ostentá-lo. Quero ver é o Constantino assinar seus artigos, orgulhosamente, como Rodrigo Punhetino.
Como crianças desamparadas, ficam torcendo para o "guru" detonar o oponente, não à base de sólidos argumentos, mas sim com adjetivos que sequer podem ser reproduzidos aqui. 1. É claro. Meu prestígio de escritor, professor, comentarista de imprensa, conferencista e polemista deve-se eminentemente à minha incapacidade de defender meus pontos de vista com argumentos. Cheguei a escrever livros inteiros e a preencher trinta mil páginas de transcrições de aulas gravadas só com adjetivos que “sequer podem ser reproduzidos aqui”. 2. Estou cada vez mais impressionado com os pudores verbais do espiador de bundas.
Trata-se de um comportamento típico de seitas, onde o "líder iluminado" está sempre com a razão, e quando acusa outro de fazer algo que ele mesmo faz com tanta freqüência, recebe os aplausos das focas adestradas, incapazes de enxergar o que ocorre de fato. É desta maneira que Olavo consegue denunciar as falácias dos esquerdistas, enquanto as aplica com maestria sem que seus admiradores notem. Olavo conseguiu até mesmo criticar o meu suposto "tom de superioridade infinita". Será que falta espelho na casa do "filósofo"? Da minha parte, jamais afirmei que um argumento meu fosse tão imbatível que os que não desejassem ser persuadidos por ele deveriam abster-se de lê-lo. Também jamais invadi com mensagens em causa própria comunidades que eu mesmo julgasse constituídas unicamente de “focas amestradas”, pois não me parece certo cortejar as atenções de um público que desprezo. Também nunca me dirigi a um debatedor mais velho, tarimbado, autor de livros e cursos sobre a técnica da discussão, anunciando “dar-lhe lições” sobre a arte do debate. Muito menos descobri uma expressão popular no texto de um escritor experiente e saí anunciando, só com base nisso, que ele não sabia escrever. E é claro que nunca proclamei, como Constantino: “Refutei a mais-valia”, porque sei que quem a refutou foi Eugen von Böhm-Bawerk e não acho bonito me atribuir os méritos daqueles com quem aprendi. Também jamais escrevi um artigo inteiro só para dizer que um sujeito é vaidoso, pois isso é conversa de salão de cabelereira. Definitivamente, não me pareço em nada com Rodrigo Constantino. E não posso negar que essa constatação me envaidece. Depois dessa vou até me olhar um pouco no espelho (sim, tenho um) para me sentir bacana. Em um novo artigo, Disfarçando o Mico, Olavo mente mais um pouco ao afirmar: "Enviou tantas mensagens para todos os lados (inclusive para a minha página pessoal no Orkut), que acabou ganhando dos orkutianos o apelido de Spamtantino". Nada poderia estar mais longe da verdade! Este "carinhoso" apelido me foi dado pelos esquerdistas, que sempre preferiram atacar a minha pessoa a argumentar. Deve-se ao fato de eu utilizar o Orkut como veículo de divulgação dos meus artigos, colocando o link para eles em inúmeras comunidades diferentes. Em resumo: quem criou o apelido que Olavo agora tenta usar para me desqualificar foram justamente os membros da comunidade "Olavo nos Odeia", um grupo de esquerdistas imaturos que detesta Olavo e prefere atacar pessoas a debater idéias. Cada vez mais fico convencido que são dois lados da mesma moeda, que são, no fundo, bem parecidos, trocando apenas o sinal. Oh, que mentiras sórdidas inventei contra o Constantino! Disse que o chamaram de Spamtantino em um site da internet, quando na verdade foi em dois. Disse que o apelido foi posto nele por pessoas a priori suspeitas de parcialidade a meu favor, quando quem o inventou foram meus mais insuspeitos inimigos. Disse que ele invadiu uma comunidade alheia com excesso de mensagens indesejadas, quando na verdade ele invadiu duas, três, quatro, nem sei quantas. Desculpe, Constantino. Restauremos a verdade: quem acha você um chato invasivo não são os meus amigos. São eles e os meus inimigos. Dos que me amam até os que me odeiam, dos conservadores cristãos até os radicais vermelhos, sua fama é unânime. Constantino, você acaba de perder a maior oportunidade de ficar calado que já teve nesta vida. Resta ao indigitado imaginar que é desprezado apenas pelos extremistas de um lado e de outro e que, no meio, no centro imperturbável do cosmos, as pessoas normais e equilibradas o aplaudem. Falta apenas saber onde estão elas. Até agora não vi nenhuma. Só vi malucos e, é claro, fakes do próprio Constantino. Ademais, resta sempre o mistério: se Constantino sabia que essas comunidades eram constituídas de extremistas fanáticos, cegos, desprovidos do uso da razão, por que insistiu tanto em ficar se exibindo para elas, mesmo quando elas mostravam enfaticamente que ele era indesejado?
Por fim, Olavo chegou ao ponto de colocar mensagens que recebeu de admiradores me atacando. Pelo menos não fui eu mesmo que as escrevi.
Creio que Olavo e sua turma perderam a capacidade de olhar para fora, algo muito comum em seitas. Tentam "vencer" os debates no grito, e não conseguem nem mesmo olhar a reação que esta conduta lamentável tem gerado fora do rebanho. Se eu fosse escrever artigos com a quantidade de mensagens que recebi lamentando a postura do "filósofo" e me dando razão, seria preciso praticamente um livro. Bem, parece que aqui o argumentum ad populum, repentinamente, se tornou válido. Infelizmente, muitas das mensagens enviadas de “fora do rebanho” à comunidade do Constantino se constitui de puras gozações, que ele não percebe ou finge não perceber, de maluquices e de um bom número de fakes. Há também muitas mensagens contra, que ele conta a seu favor. Essa irritação do Constantino com o fato de eu ter cá meus admiradores contrasta com a naturalidade com que ele aceita e proclama a existência dos seus próprios. Naturalmente é uma vergonha que eu os tenha, quando todos deveriam ser dele. E o fato de que os meus excedam os seus em número só pode ser uma aberração, uma injustiça cósmica. É compreensível que o Constantino busque corrigi-lo por todas as formas, esforçando-se mesmo para atrair a atenção de quem o enxota.
Ainda assim, a quantidade não faz a qualidade, e o número de adeptos jamais fez uma causa ser verdadeira por tal critério. Então para que alegar essa quantidade, exagerando-a até à demência de proclamar que bastaria para “um livro”?
Mas comento isso apenas para mostrar como eles se fecharam em seu mundo, entorpecidos com as trocas mútuas de bajulações. Qualquer apoio, se dado a mim, é bajulação ou fanatismo; a ele, é uma saudável expressão de justiça. E o vaidoso sou eu, naturalmente.
Já dizia Nelson Rodrigues: "A grande vaia é mil vezes mais forte, mais poderosa, mais nobre do que a grande apoteose; os admiradores corrompem". Em uma linha parecida foi Norman Vincent, ao afirmar que "o mal de quase todos nós é que preferimos ser arruinados pelo elogio a ser salvos pela crítica". É curioso que toda essa circunspecção, todo esse desprezo aristocrático pelos aplausos da platéia, todo esse horror à vaidade levem Constantino a usurpar espaço em comunidades alheias, invadindo-as e se exibindo para todo lado na base do “Olha eu aqui!”
Olavo foi alçado ao patamar de "líder iluminado" por seus seguidores, e isso o cegou. Sua vaidade é tanta que perdeu o costume de ser criticado por pessoas que concordam com muitas de suas idéias. Não deixa de ser interessante observar que meu primeiro contato com os ativistas liberais, devido a uma iniciativa do falecido Donald Stewart, foi justamente uma conferência sob o título “Por que não sou neoliberal”, na qual eu expressava minha divergência das idéias daquele meu querido amigo. Fui convidado pelo Instituto Liberal a participar de um debate no centenário de Popper justamente por pessoas que discordavam das minhas reservas quanto ao filósofo. E desde que conheço o Meira Penna estamos tentando em vão acertar nossas diferenças quanto à ONU. Constantino imagina ser o primeiro liberal que diz um “Não” às minhas opiniões. Ele é, sim, o primeiro e único liberal que diz que não sei escrever, que sou vaidoso, que sou mentiroso, que sou intolerante a divergências, que escravizo mentalmente meus alunos, que só escrevo palavrões em vez de argumentos, que venço debates no grito por incapacidade de raciocinar, que bajulações me deixam embevecido e cego e, last not least, que sou um veado enrustido por não ficar espionando bundas de mulheres na rua. E decerto ele é, não digo o único liberal, mas o único ser humano em todo o universo que tem a cara de pau de chamar a isso “crítica de idéias” em vez de difamação pessoal.
Deixo a resposta a cargo dos leitores. 28 de fevereiro de 2007
P. S. gramatical: 1. “O filósofo Karl Popper, quem Olavo chegou a desqualificar”: Não é “quem”, é “a quem”. |