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Concurso Santo Palavrão: o prêmio é meu

Olavo de Carvalho
21 de julho de 2011

Prezado Sr. Sidney Silveira,

Com referência ao Concurso “Santo Palavrão” (http://contraimpugnantes.blogspot.com/2011/07/concurso-santo-palavrao.html), reivindico a entrega imediata do prêmio prometido.

S. Thomas More, na sua célebre “Responsio ad Lutherum”, que contesta as objeções do monge alemão a um tratado teológico de autoria do rei Henrique VIII, usa contra Lutero os mais chocantes palavrões disponíveis na época, e ainda os repete e floreia com variações que sublinham o seu propósito declaradamente ofensivo.

Mais significativa ainda é a razão com ele justifica o emprego da linguagem obscena, dizendo que o que havia de mais abominável no escrito de Lutero não era tanto o teor de seus erros teológicos quanto o fato de que, para sustentá-los, o monge de Wittenberg falsificava o sentido das palavras do Rei, exatamente como o senhor mesmo, Sidney Silveira, fez com um texto meu dias atrás. Responder com puras contestações eruditas a semelhante baixeza, dizia o santo, seria conceder-lhe uma honra imerecida, motivo pelo qual ele preferia se dirigir a Lutero nos seguintes termos:

“As long as your reverend paternity will be determined to tell these shameless lies, others will be permitted, on behalf of his English majesty, to throw back into your paternity’s shitty mouth, truly the shit-pool of all shit, all the muck and shit which your damnable rottenness has vomited up, and to empty out all the sewers and privies onto your crown divested of the dignity of the priestly crown, against which no less than against the kingly crown you have determined to play the buffoon.”

Tradução: “Enquanto continuardes decidido a dizer essas desavergonhadas mentiras, a outros será permitido que, em defesa de Sua Majestade Britânica, joguem de volta na vossa boca cheia de merda, verdadeiramente o depósito de toda merda, a sujeira e merda inteiras que vossa execrável podridão vomitou, e esvaziar todos os esgotos e privadas na vossa coroa despida da dignidade de coroa sacerdotal, em prejuízo da qual decidistes bancar o palhaço contra nada menos que a coroa real.”

More pergunta ainda: “Will we not have the posterior right to proclaim the beshitted toungue of this practitioner of posterioristics most fit to lick with his anterior the very posterior of a pissing she-mule until he shall have learned more correctly to infer posterior conclusions from prior premises?”.

“Não teremos nós o direito posterior de proclamar que a língua cheia de merda desse praticante da posteriorística é mais apta a lamber com sua parte anterior o posterior de uma mula mijante, até que tenha aprendido a inferir mais corretamente conclusões posteriores de premissas anteriores?”

Os trechos citados encontram-se na Responsio ad Lutherum, em The Complete Works of St. Thomas More, ed. John M. Headley, vol. V, New Haven: Yale University Press, 1969, pp. 181 ss.

É verdade, sr. Silveira, que não sou o Rei da Inglaterra nem autor de um tratado teológico, mas isso não lhe dá o direito de falsificar minhas palavras nem de fazer-se de santa alma escandalizada só porque me dirigi ao senhor em termos que não chegam a ter metade da virulência da linguagem usada por S. Thomas More, mártir da Igreja beatificado pelo Papa Leão XIII em 1886 e canonizado por Pio XI em 1935.

Atenciosamente,

Olavo de Carvalho

P.S. – O prêmio é meu, mas não quero nenhum livro da sua editora. Venda um exemplar de cada um e dê o dinheiro ao primeiro pobre que encontrar na rua, dizendo que é penitência por ter difamado um inocente.


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