Sapientiam Autem Non Vincit Malitia - Foto da águia: Donald Mathis Mande um e-mail para o Olavo Links Textos Informações Página principal

 

 

 

 

 

 

 

Nem um pouquinho

Olavo de Carvalho
Dirio do comrcio, 5 de novembro de 2013


       
 


A reao geral da mdia impressa e blogustica presena de Reinaldo Azevedo e Rodrigo Constantino na equipe de articulistas da Folha de S. Paulo traz a prova definitiva de que o "establishment" comunopetista no est disposto a aceitar nem mesmo oposio jornalstica, individual e apartidria.

Nem mesmo um pouquinho dela. Aqueles que ainda se recusam a crer que estamos sob um regime de controle totalitrio da opinio pblica so os melhores aliados desse sistema de dominao cnico e intolerante, que cresce e se alastra sob a proteo da invisibilidade postia com que o encobrem, como ontem fizeram com o Foro de So Paulo.

Incluo nisso aqueles que, com ares de guardies da ptria, continuam pontificando sobre uma iminente "ameaa de tomada do poder pelos comunistas". Esses s ajudam a camuflar a realidade: os comunistas j esto no poder, j controlam   os canais de ao poltica e propaganda, e no existe nem mesmo quem possa tomar o lugar deles.

A passagem da "fase de transio" para a da "implantao do socialismo" no est lenta porque algum, entre os lderes polticos, militares ou empresariais, lhe oferea resistncia. Est lenta porque, aps a primeira tentativa forada com o Movimento Passe Livre, a liderana comunista est em dvida quanto ao prximo passo, natural num pas com a extenso, a diversidade regional e a complexidade deste Brasil.A nica oposio que essa gente enfrenta a natureza das coisas, cuja resistncia passiva s mudanas foradas o pesadelo mais antigo e permanente dos guias iluminados da espcie humana. Oposio deliberada, organizada, no h. E as poucas vozes isoladas, se depender da classe jornalstica a que pertencem e que as odeia, sero caladas em nome da democracia e da liberdade de opinio.

Na nomenclatura poltica reinante, os liberais moderadssimos Azevedo e Constantino j foram transferidos para a "extrema direita", que est a um passo do "crime de dio" e do "terrorismo". Dizem que os dois s foram admitidos na Folha por exigncia pessoal do sr. Otvio Frias Filho, contra o consenso da reda o. Se isso fato, fala alto em favor do sr. Frias, mas mais alto ainda, grita de cima dos telhados a realidade de uma situao em que os empregados da empresa, regiamente pagos e sem ter investido nela um tosto, agem como se fossem os donos e ditam regras que o dono, juntando todas as reservas de coragem que lhe restam aps dcadas de complacncia gentil, ousa contrariar pela primeira vez na vida.

Algum duvida que, desde esse gesto, o sr. Frias diariamente amaldioado no prdio inteiro da Alameda Baro de Limeira como "ditador" e "tirano"  por ter ousado mandar no que seu, ainda que um tiquinho s? No posso deixar de cumpriment-lo pela iniciativa de inserir, na massa de duzentos esquerdistas que dominam as pginas da Folha dois articulistas liberais. Pelos critrios correntes, um abuso, uma invaso, um golpe de extrema direita.

Entrei na imprensa em 1965. Estou nessa coisa h quase meio sculo, e nunca um dono de jornal veio me pressionar para que escrevesse o que no queria ou deixasse de escrever o que pensava. Otvio Frias pai, os Marinhos, Samuel Wainer, os Civitas, os Mesquitas e agora a Associao Comercial de So Paulo sempre respeitaram minha liberdade, mesmo quando eu pensava o contrrio deles. Presses, tentativas de intimidao,  difamao e toda sorte de cachorradas vieram sempre da redao, daqueles que eu considerava companheiros de trabalho, mas que se imaginavam meus patres.

Lembro-me de um colega, militante comunista, que, tendo falhado confiana do Partido nos anos 1960  foi excludo no s do emprego mas da profisso jornalstica com a maior facilidade, mediante um simples zunzum passado de boca em boca nas redaes pela liderana comunista, como se fosse um decreto: "Esse a? Esse no. mau carter." Mau carter sou eu, que vi isso com meus prprios olhos e fiquei quieto, esperei vinte anos para denunciar a prepotncia de jornalistas que assim agiam ao mesmo tempo que posavam de coitadinhos, de perseguidos e at de classe operria espoliada!     

***

Um palhao que se diz historiador assegurou, em debate pela internet, que a CIA havia fornecido aos golpistas de 1964 ajuda de US$ 12 bilhes, seis vezes o custo da fabricao da bomba atmica, numa poca em que a totalidade dos investimentos estrangeiros no Brasil no passava de 86 milhes. Em valores de hoje, 12 bilhes equivalem a 90 bilhes: 45 vezes os gastos totais da eleio americana mais cara de todos os tempos.            

Desafiado a provar a enormidade, apelou autoridade de outro igual a ele, sem nenhum documento comprobatrio.

Como eu citasse o livro do espio checo Ladislav Bittman, que confessava ter inventado a histria da participao americana no golpe, o homenzinho respondeu: "Se foi assim, por que ele no escreveu um livro?" Tsk, tsk.

Feito isso, passou a me dar lies sobre o rigor cientfico que deve prevalecer no uso historiogrfico de testemunhos, logo aps ter repassado a seus leitores, como testemunho probante e fidedigno, a historinha do sr. Paulo Ghiraldelli, segundo a qual eu teria sido reprovado num vestibular da USP, o qual, alis, jamais prestei. esse tipo de gente que ensina Histria nas universidades do Brasil.

 


.

 

Bookmark and Share

Comente este artigo no frum:

http://www.seminariodefilosofia.org/forum/15