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Leituras recomendadas - 71

 

O beijo na mãe terra

José Nivaldo Cordeiro

 

A semana que passou foi marcada pelo impacto dos acontecimentos do 11 de Setembro. Impossível escapar do horror das cenas dantescas e também da ansiedade do que está por vir, da retaliação por parte dos EUA, que o Mundo espera seja fulminante. Vivemos tempos de guerra.

Mas há sempre o contraponto mesmo ao mais espesso horror. E a cena mais bela que ficou na minha memória foi o gesto simples, espontâneo, da anônima brasileira que desembarcou vinda dos EUA e, de joelhos, beijou o solo pátrio. Uma cena de rara beleza, diria mesmo poética.

São nesses momentos radicais que certas coisas, que habitualmente passam desapercebidas, ganham relevo. Quem viajou pelo mundo, sabe. Apesar de tudo, o solo pátrio é, para os brasileiros, o seu abrigo, o colo da Mãe Terra. Apesar de tudo, não temos guerras, nem inimigos, nem acertos de conta que poderiam custa a vida de nossa juventude. Apesar de tudo, podemos dizer que o Bom Deus foi demasiado generoso com a nossa Nação. Aquele beijo singelo de certa forma expressa o sentimento de ser brasileiro que, repatriado, sente o acolhimento e o aconchego de estar no seu lar. "Por mais terra que eu percorra, não permita Deus que eu morra, sem que volte para lá..." é o lema que mora no coração de cada brasileiro expatriado.

Li muitas bobagens na imprensa nacional comparando o patriotismo americano com o brasileiro, depreciando o nosso sentimento nativista. Subestimam a nacionalidade. Casualmente são os mesmos agentes jornalísticos que pregam a luta de classes, que sistematicamente denigrem o governo constituído, que, para usar a bela metáfora do Luiz Marins, não conseguem enxergar a parte cheia do cálice chamado Brasil. São aqueles que preferem a bandeira vermelha ao auriverde pendão da nossa Terra. O vermelho do fogo dos infernos.

Não deveriam jamais subestimar a nacionalidade, o singelo beijo na Mãe Terra. Essa tropa de filhos de Caim, os únicos inimigos da Pátria que, de fato, podem trazer sofrimento a todos nós, não deveriam mentir e diminuir os brasileiros. Pensam erroneamente que assim ajudam na sua revolução, mas o que fazem mesmo é revelar, em ato falho, as suas más intenções. Acho até que outro contraponto psicológico importante dos acontecimento do 11 de Setembro é que os advogados do terrorismo, dos guerrilheiros, da luta de classes e da revolução armada perderam a razão diante da opinião pública, se é que algum dia a tiveram. Agora vai ser mais difícil mentir e enganar os brasileiros mais desavisados. As cenas de horror apocalíptico que assistimos podem ter o efeito de acabar com a letargia dos brasileiros, que passarão a perceber quem são os lobos mais claramente nesse jogo político envenenado pela mentira. Os filhos de Caim pregarão agora no deserto.

Aquele beijo na Mãe Terra ficará como símbolo na memória de todos nós.