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Leituras recomendadas - 67

 

A parte cheia do cálice chamado Brasil

Luiz Marins
Anthropos Consulting

 

Afinal que Brasil é este? O que está realmente acontecendo com o Brasil?

Afinal por que estão as maiores empresas americanas e européias afirmando  que seu maior portfólio de investimentos para os próximos 10-15 anos será nesta região do mundo? Será que viraram devotos de N. S. Aparecida do dia para a noite?

Acredito que seja o momento de passarmos de uma consciência ingênua para uma consciência crítica sobre o momento atual brasileiro.

Nos corredores do Fórum Econômico Mundial em Davos os ministros e autoridades declaravam  sua intenção de investir no Brasil nos próximos anos o que nunca haviam pensado. Afinal que mercado é este?

Vejo jovens confusos sobre o Brasil. Os jornais mostram a desgraça, o estupro, as balas perdidas... e esse pessoal continua vindo para o Brasil?

As empresas espanholas e portuguesas acabam sendo maiores aqui do que na própria Espanha e Portugal e assim por diante. Acho que está na hora de explicar o Brasil com dados – dados de pesquisa – dados sérios, em vez do "chutômetro" aplicado a todo o momento para nos confundir.

Um exemplo digno é o divulgado em abril do ano passado, nos 500 anos  do Brasil. Todos os jornais estamparam para o mundo todo que éramos  5 milhões de índios no Brasil em 1500. Ora, se há dúvidas de quantas pessoas exatamente vieram nas caravelas em 1500, como é que sabemos que éramos 5milhões de índios em 1500 no Brasil? Quem contou? Qual o IBGE da época ou GPS que mediu os 5 milhões? Algum louco, com base em especulações referentes à mortalidade infringida pelos espanhóis no México, chegou à conclusão absolutamente absurda de que éramos 5 milhões e isso virou "verdade"! E assim logo dizemos que temos 120.000 desabrigados nas ruas de São Paulo, 45 milhões de miseráveis, etc., etc.

Até quando seremos  obrigados a engolir essas verdadeiras barbaridades? Para passarmos de uma consciência ingênua para uma consciência crítica e compreendermos o que está acontecendo, temos que saber que o mundo tem o que se chama de "mercados maduros". "Mercado maduro" é o mercado em que o crescimento do consumo é equivalente ao incremento vegetativo da população – ou seja – se a população cresce aumenta o consumo. Se não cresce o consumo continua estático. Assim o consumo de cerveja nos EUA, por exemplo, cresceu 2% acumulado nos últimos 5 anos e deverá crescer apenas 2% nos próximos cinco anos. No Japão 35 prefeituras exigem um atestado que diga que você tem onde colocar seu carro para que um concessionário possa vender um automóvel novo a você –  problema de espaço vital. O consumo de biscoitos na Inglaterra não cresce há dez anos. Esses mercados maduros – EUA, Europa e Japão – onde se encontram as empresas igualmente maduras – IBM, Toyota, Electrolux, etc. – precisam de mercados emergentes – onde o crescimento do consumo seja maior do que o incremento vegetativo da população. Quais são esses maiores mercados hoje no mundo? Brasil, Índia e China.

Mas não nos iludamos muito com a China. A China tem 76% de sua população em campesinato. A Índia, 72%, e o Brasil apenas 22%. Assim, o país pronto para consumir produtos ocidentais de alguma tecnologia que não seja bicicleta, alfanje, etc. é o Brasil e por extensão o Mercosul.

Por isso estão todos aqui e querendo investir mais e mais aqui. O mercado brasileiro, segundo dados da Nielsen, cresceu nos últimos 5 anos:

 * 859% em fraldas descartáveis
* 369% em mistura para bolos
* 310% em alimentos para gatos
* 282% em leite flavorizado
* 273% em alimentos para cães
* 219% em leite longa vida
* 201% em massas instantâneas
* 176% em cereais matinais
* 116% em carnes congeladas
* 81% em água mineral
Fonte: AC Nielsen

O Brasil é hoje um mercado que apresenta alguns dados impressionantes:

* 1,3 milhão de lavadoras de roupa
* 82% mais que no Canadá
* 4o. Maior mercado do mundo
* 8,02 trilhões de litros de refrigerantes
* 343% mais que no Canadá
* 3o. Maior mercado do mundo
* US$ 1,3 bilhão em alimentos "diet ou light"
* US$ 100 milhões em 1990
* US$ 6 bilhões em 2010
* 63,4 mil toneladas de creme dental
* 456% mais que na Itália
* 51,4 mil títulos de livros
* 12% mais que a Itália
* US$1,2 bilhão em CD's
* 5º maior mercado fonográfico
* 681,9 mil toneladas de biscoito
* 27% mais que o Japão
* 2º .maior mercado do mundo
* 3 milhões de geladeiras
* 66% maior que o Reino Unido
* 4º maior mercado do mundo
* 11 milhões de usuários da Internet
* 95% das declarações de IR foram enviadas via Internet, 40% do total na América Latina e o dobro do México.

E é importante que saibamos que somente a chamada classe média e emergente no Brasil hoje representa 35 milhões de famílias (IBGE).

Assim, só a classe média e emergente no Brasil é:

* 8% maior que a população da Alemanha.
* Maior que a República Checa, Bélgica, Hungria, Portugal, Suécia, Áustria, Suíça, Finlândia, Dinamarca, Noruega, Irlanda, Nova Zelândia, Luxemburgo e Islândia juntos.
* É maior que a França e Canadá juntos.
 * Equivale a um terço da população dos Estados Unidos.
 * Equivale a 72% da população do Japão.

Nós também não temos consciência de que o Brasil representa 42% do PIB da América Latina incluindo o México e seu PIB representa 13,3% do PIB total dos países em desenvolvimento, incluindo a China. E que:

 * Todo o PIB da Argentina ....
 * Equivale ao Interior do Estado de São Paulo
 * Todo o PIB do Chile ..
 * Equivale ao Grande Campinas (Ernest & Young)
 * Todo o PIB do Uruguai ...
 * Equivale ao bairro de Santo Amaro em São Paulo.

É preciso compreender que as empresas multinacionais estão investindo aqui  porque o Brasil é o 5º  País do mundo em Poder de Compra com mais de US$ 1 trilhão de dólares em Purchasing Power Parity. Hoje o ranking é:

EUA, China, Japão, Alemanha e Brasil

Pense nisso. Passe de uma consciência ingênua para uma consciência crítica  a respeito do Brasil. Se somos 33 milhões de pobres somos também 120  milhões de "não-pobres" e isso quer dizer muita coisa num mundo de mercados maduros

E, acredite, dentro de mais alguns anos – 3 ou 4 – teremos no Brasil juros  internacionais. Isso significa que poderemos ir ao banco para que  ele financie o nosso crescimento a juros decentes de 10-12% ao ano e não ao mês. Como a empresa brasileira é a mais "líquida" do mundo (não deve muito  a bancos – pois se dever, quebra), o crescimento será exponencial, uma vez que todas as pesquisas mundiais mostram ser o brasileiro o mais "empreendedor" dos povos. E juros internacionais também farão com que o consumidor brasileiro possa consumir mais, dever mais, criando um círculo virtuoso de crescimento do mercado. Daí a razão de todos os bancos internacionais estarem comprando ou expandido suas ações de varejo no Brasil.

Agora é o momento de acreditar e investir, lembrando que o futuro do Brasil é maior que o seu passado. O Brasil é um cálice de vinho com metade cheia e metade vazia. Mas é importante não vermos só a parte vazia desse cálice. Ela existe e é grave. Mas existe uma parte cheia que está atraindo a atenção do mundo inteiro.

Pense nisso: sucesso.