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Leituras recomendadas – 229

 

Sobre a "Prece de Natal 2002"
de Olavo de Carvalho

Por Wadson Muniz
26 de dezembro de 2002

 

Pouco conhecimento faz com que as criaturas se sintam orgulhosas. Muito conhecimento, que se sintam humildes. É assim que as espigas sem grãos erguem desdenhosamente a cabeça para o céu, enquanto as cheias a baixam para a terra, sua mãe.

Leonardo da Vinci

Dentre as muitas coisas que já se disseram acerca de Olavo de Carvalho, consta: "Olavo de Carvalho não existe."

Dada a materializante indigência em que mergulhou a vida, de fato, é difícil acreditar na existência de alguém que:

1) em busca de orientação, foi buscá-la nos ensinamentos de gerações passadas, em vez de ouvir as modernas, pretensamente mais cultas;

2) entendeu, plenamente, o que disseram tais homens;

3) firmado no que aprendeu, enfrenta sozinho a maior parte dos intelectuais brasileiros, que então se vêem sem armas para enfrentá-lo e, como argumento final, acusam-no de não existir;

4) se lança a esse enfrentamento para evitar a propagação de idéias tão falsas quanto perigosas, nas quais ele próprio já acreditou e as quais provocaram nele a desilusão que acabou por levá-lo ao encontro daqueles ensinamentos;

5) insiste em falar da verdade transcendente e da necessidade de orientar a vida para essa mesma verdade, orientação que ele encontrou, precisamente, no mesmo ponto e da mesma forma que o fizeram aqueles homens que ele foi ouvir.

Os que não o conhecem concordarão com seus detratores, que também convencem os que não o entendem. Aos que o conhecemos e com ele aprendemos, no entanto, resta avisar aos outros que Olavo de Carvalho existe, sim, e não é uma ficção diabólica, nem um produto comercial, nem um fóssil humano medievo. O que é ele, então?

É, simplesmente, alguém a quem anos e anos de estudo fizeram muito bem; alguém a quem a falsidade e a mentira já não podem enganar, pois ele aprendeu a identificá-las de longe e num relance. É, sobretudo, alguém que quer dividir tudo o que viu com tantos quantos queiram verdadeira orientação.

Olavo de Carvalho fala ao mais íntimo do ser humano, fala àquele núcleo luminoso, que nos distingue de todo o restante da criação. É precisamente lá que está tudo o que nos é necessário para a travessia desta vida e que a mentira quer tirar de nosso campo de visão.

É próprio da época do Natal a maior abertura das almas às coisas do alto. O diabo ainda não nos tirou isso, pelo menos não totalmente. Se algo eu posso recomendar a alguém, recomendo que por essa fresta deixe passar a mensagem centralizadora e orientadora de Olavo de Carvalho, a qual surge claríssima em Prece de Natal 2002, por exemplo (texto publicado em O Globo e também disponível em www.olavodecarvalho.org).

A Olavo de Carvalho, o meu mais sincero agradecimento pelo reencontro espiritual a que seus ensinamentos me levaram. Ao Altíssimo, um pedido: deixe entre nós, ainda por muitos e muitos anos, esse mestre, para que continue a nos iluminar a marcha.

Waldson Muniz (wal.muniz@uol.com.br)