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Raízes da Modernidade Curso em 6 aulas por Olavo de Carvalho
Os manuais, os professores de ginásio, a mídia popular e a sabedoria convencional descrevem o advento da modernidade pela recusa da autoridade da Igreja, pelo descrédito da filosofia aristotélica, pelo primado das ciências de observação sobre as antigas deduções metafísicas e pelo culto da liberdade individual em oposição à obediência passiva que havia caracterizado, segundo se diz, a conduta do homem medieval. Tudo isso é meticulosamente errado. A autoridade do Papa cresceu formidavelmente no período renascentista até fazer da Igreja a organização centralizada e altamente burocratizada em que se tornou. O aristotelismo perdeu prestígio na física, é verdade, mas começou a imperar, como nunca antes, no mundo das letras e das artes. A ciência de Galileu e Newton fazia pouco caso da observação da natureza, preferindo a construção de modelos matemáticos sem equivalência na realidade sensível. E o poder dos governantes cresceu desmesuradamente, impondo a administração centralizada e sufocando as liberdades locais e grupais que haviam vigorado durante toda a Idade Média. Não há um só historiador profissional que não saiba dessas coisas, mas a tentação de definir uma época tão-somente pela letra do discurso dominante, sem o necessário contraponto entre as idéias e os fatos, parece ser mesmo irresistível. Quase nunca se menciona, por exemplo, que só no Renascimento o Papado obteve pleno domínio das universidades, que até então desfrutavam de uma invejável autonomia. E não faz sentido querer enxergar uma apoteose da liberdade individual precisamente na época do surgimento dos regimes absolutistas que só viriam a cair três ou quatro séculos depois. Em vez de tentar encontrar um desenho geral, uma definição de conjunto ou o perfil essencial da Modernidade, este curso vai destacar certos traços singulares que dissolvem o estereótipo dominante, mesmo ao preço de não colocar no seu lugar senão uma série de perguntas sem respostas. O objetivo do curso não é dar uma “visão” da Modernidade, mas apenas sublinhar alguns fatos de extraordinária importância que a imagem popular consagrada nega, omite ou distorce. 1. O primeiro desses fatos é a matematização da natureza. Edmund Husserl já analisou esse fenômeno e suas consequências no livro A Crise das Ciências Européias, mas ainda falta muito para que os resultados das suas investigações magistrais se integrem na cultura corrente. Isso deve-se em parte à linguagem carregada, quase esotérica, em que ele expõe suas conclusões. Um primeiro passo deste curso será explicar a visão husserliana da ciência de Galileu, Newton e Descartes. 2. Um segundo traço inaugural da modernidade é o caráter conscientemente militante e propagandístico de muitos escritos filosóficos e científicos da época. Os meios de persuasão usados para impor as novas ciências foram, muitas vezes, de índole mais retórica que científica. Em contraste com a imagem de uma época de esclarecimento racional em oposição a uma era anterior de trevas e superstições, é assombroso o número de crendices tolas que perpassam as obras de Galileu, Newton, Descartes, Bacon e tutti quanti. A cultura corrente apaga esses aspectos, separando-os, como detalhes acidentais, do núcleo de idéias promissoras que aqueles sábios transmitiram à posteridade. Mas essa separação ex post facto não corresponde ao pensamento genuíno dos fundadores da modernidade. 3. Em vez de uma época de pura racionalidade científica, a Modernidade foi, no seu início, e prolongando-se pelo menos até o século XVIII, a apoteose da magia, da alquimia, da astrologia e do ocultismo. 4. O extraordinário desenvolvimento que a poesia, o teatro e as artes narrativas tiveram naquele período forneceu aos escritores científicos e filosóficos os mais prodigiosos meios de dar aparências verossímeis ao que quer que dissessem. O começo da Modernidade foi, por isso, uma época marcada pelo florescimento de falsas narrativas biográficas e autobiográficas. As eras subseqüentes aceitaram essas narrativas, por vezes, com uma credulidade espantosa. As imagens convencionais de Newton, Galileu, Descartes, Bacon, Giordano Bruno e muitos outros correspondem bem pouco à realidade histórica. O hiato entre a historiografia profissional e as crenças culturais vigentes alargou-se ao ponto de que o homem medianamente culto de hoje em dia vive num espaço histórico bastante fantasioso. A exploração desses pontos deve concorrer para estimular o aluno a crer menos nos mitos culturais estabelecidos do que na força da investigação sincera. ________________________ Informações complementares Passagem aérea: Cada aluno é livre para adquirir a passagem da maneira que
mais lhe convier (milhagem, outra cia, etc.) porém deverá
informar sua opção para a organização. ___________________________________________ Hospedagem: Economize em sua estadia, refeições e transporte, hospedando-se no Centro de Conferências na casa da professora Margarita. Não será necessário aluguel de carro com essa opções (todos os custos inclusos no pacote). Hospedagem no Centro de Conferências (permitido fumar) Check in: 16/Oct US$ 290.00 por beliche em quarto compartilhado
e refeições (permitido fumar) Com a hospedagem no Centro de Conferências, os alunos não precisarão alugar carros ou gastar com refeições diárias. Clique aqui para se registrar e reservar sua vaga (há poucas
vagas na casa principal) Hotel Hilton Garden Inn Colonial Heights ___________________________________________ Alamo Rent-a-car (Aeroporto de Richmond) Priscila Maris - Scherman Operadora (41) 3264 7073 ___________________________________________ In: 09/10/2010 Plano Super Easy Forma de pagto: Priscila Maris - Scherman Operadora (41) 3264 7073 Visto Americano Solicitar visto B-2 http://www.visto-eua.com.br/agendamento-web/index.jsp?locale=pt_BR É possível antecipar a entrevista por meio de um
escritório especializado: ___________________________________________ Conforme programação acima. ___________________________________________ Mais informações:
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