A voz do trovão

 

José Nivaldo Cordeiro

A revista Época dividiu por quatro o espaço ocupado pelo filósofo Olavo de Carvalho em suas páginas, vez que a sua coluna semanal passou agora a ser mensal. À primeira vista pode parecer um mero ato administrativo interno daquele periódico, mas não é assim. Olavo de Carvalho é uma das maiores referências nacionais do pensamento liberal e conservador e mexer com ele é um ato político contra essas correntes de pensamento. Não se cala impunemente uma voz de trovão. Houve troca de direção na revista, isso é certo, mas com ela chegou a ordem de minimizar o clarão dos relâmpagos e o fogo dos raios saídos da pena de nosso maior polemista vivo, que está incomodando muita gente.

É preciso que se diga que Olavo de Carvalho tem sido uma das poucas vozes dissonantes em nosso meio intelectual, dos poucos que não apenas se recusa a fazer coro com a ação gramsciana, mas a denuncia firme e claramente, sem medo de peitar os áulicos da academia, do governo, da política. Tem sido um analista ferino das coisas nacionais e dá o devido nome aos bois: o destemido filósofo é hoje a referência nacional contra a maré vermelha e tem aberto os olhos de muita gente para as mentiras e falsificações que o meio letrado – da academia aos órgãos de imprensa – têm militantemente realizado em nosso país.

Calar Olavo é impedir que uma multidão de homens e mulheres ouça o murmúrio da fonte mais cristalina do saber.

Mas não é possível calá-lo. A revista Época não é o único canal a fazer chegar seus dardos flamejantes sobre a cabeça dos filisteus. Ele tem acesso a outros meios de expressão para seus escritos, mas não resta dúvida que retirá-lo da revista, ainda que parcialmente – de uma tribuna tão notável! – não deixa de ser um ato de censura e uma tomada de posição política contra os leitores que o têm em mais alta conta.

Na verdade, todo o público leitor de tendência liberal e conservadora, que enxergava na revista Época a sua publicação preferida, ficou órfão, em prejuízo da própria revista, que perderá leitores, a começar por mim. Só comprarei os exemplares que contiverem os seus artigos, o que estou recomendando a todos os amigos e conhecidos, admiradores de Olavo de Carvalho, que não são poucos.

6 de Novembro de 2001

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